Enquanto lia O vinho da juventude, do Fante, eu tentava enxergar uma crítica social naqueles contos que o compunham. Uma delas era quanto ao papel do dinheiro na sociedade:
- Quem ama mais vocês: o papai ou a mamãe? – o pedreiro dizia, distribuindo moedas aos seus filhos.
- O papai!! – as crianças gritavam em uníssono.
Neste feriado + fim de semana, eu li um livro do Mark Haddon (o mesmo que escreveu O estranho caso do cachorro morto) chamado Uma coisa de nada. Tem uma cena em que o menino Jacob está descontrolado, no dia do casamento da mãe, que precisa se arrumar. A solução é oferecida pela madrinha do casamento, que oferece dinheiro a ele e a oportunidade de brincar.
Bateu a dúvida. Crítica social ou apenas um retrato fiel da realidade que rege os sistemas de educação infantil? Uma educação baseada em recompensas monetárias, que logo ensina os pequenos qual o lugar do dinheiro na nossa sociedade: o topo!
Não lembro de ser aficcionada por dinheiro quando criança. Será que isso tem a ver com o fato de vivermos em uma sociedade em que dar gorjetas não é comum ou isso tem a ver com meu círculo familiar?
Acho que é mais um reflexo da realidade do que crítica social.